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Shopping em Curitiba comercializa produtos da Economia Solidária

Brasília, 23/08/2006 - Produtos da economia solidária, como acessórios femininos, peças para decoração, papelaria e brinquedos pedagógicos são expostos em shopping no Paraná. Produzidos por três mil trabalhadores de 60 comunidades de todo o país, a produção é comercializada pela Boutique Solidária, que fica no Shopping Estação, em Curitiba.

A loja há pouco mais de um ano e é baseada no comércio justo. “O único lucro que temos, serve para nos manter”, diz a proprietária Monalisa Stefani. Para se manter no local, a Boutique Solidária tem custos reduzidos pela administração do shopping. “Queremos, com esta loja, abrir uma porta para esse tipo de comércio aqui no Brasil. Na Europa, muitas lojas já vendem produtos da economia solidária, mas aqui somos somente nós”, diz ela.

O apoio à comercialização de produtos elaborados por redes de cooperativas, associações e empresas autogestionárias é uma política desenvolvida pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que lançou em dezembro do ano passado o manual “Entender para Intervir - Por uma Educação para o Consumo Responsável e o Comércio Justo".

A publicação é uma parceria do Instituto Kairós com a rede francesa Artisans du Monde, decorrente de convênio de cooperação franco-brasileiro estabelecido entre a Coordination SUD (plataforma de ONGs francesas) e a Abong – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais.

A publicação surgiu a partir do intercâmbio entre as duas instituições, ao longo de dois anos, e que criou uma metodologia de aplicação prática e integrada do Consumo Responsável, do Comércio Justo, Ético e Solidário.

Normatização - Os pequenos empreendedores defendem a edição de uma legislação específica para o comércio justo e solidário, para que possam ter condições de comercializar seus produtos no mercado.

A idéia é criar instrumentos que caracterizem esse mercado, para que o governo possa executar ações de fomento e normatização do segmento.

“É preciso uma definição das características desse mercado”, explica o coordenador do Comércio Justo e Solidário da Senaes, Antônio Haroldo Mendonça.

Na I Mostra de Cultura e Economia Solidária, no início do ano em São Paulo, foi realizado um Encontro Nacional do Comércio Justo e Solidário, quando se discutiu a criação do sistema brasileiro do comércio justo e solidário, com a participação de 59 organizações de empreendedores, pesquisadores e representantes de redes de comércio.

Segundo Mendonça, o sistema tem como base o mapeamento da economia solidária do MTE, que identificou cerca de 15 mil empreendimentos solidários no Brasil e demonstrou as potencialidades da economia solidária e da agricultura familiar.

No encontro, os empreendedores entregaram à Senaes uma carta de intenções solicitando apoio no processo de construção do sistema. “Foi criado um grupo de trabalho para propor a normatização que identificasse e caracterizasse esse tipo de comércio”, esclarece Mendonça.

Composto por representantes do MTE, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Sebrae, Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Fórum de Articulação do Comércio Justo e Solidário (FACES/Brasil), da Articulação da Organização dos Produtores Familiares no Comércio Justo e Solidário (OPFCJS), a comissão se reúne hoje para discutir algumas propostas para a normatização.

Assessoria de Imprensa do MTE
(61) 3317-6394/ 3317-6540 – acs@mte.gov.br